Imagina que cada vez que visitas um café novo na cidade, o teu cérebro guarda não só o endereço, mas também o caminho exato que percorreste para lá chegar. Da próxima vez, já sabes, viras à esquerda na segunda rua, passas pela padaria, e lá está ele, o aroma a torrefação fresca. Prático, não é? Agora, imagina que esse café muda de lugar, mas o teu cérebro insiste em levar-te ao endereço antigo. Ou pior, que alguém, de propósito, altera as placas da rua para te levar a um beco escuro. É mais ou menos assim que funciona o DNS cache, a memória escondida do teu computador que, por vezes, precisa de ser apagada.
O Que É o DNS Cache e Por Que Deverias Importar-te?
O Domain Name System, ou DNS, funciona como uma imensa lista telefónica da internet. Sempre que escreves algo como “omeuip.com” no teu browser, o computador não sabe, logo à partida, para onde se dirigir. É preciso traduzir esse nome amigável num endereço IP, uma sequência de números que funciona como o verdadeiro endereço do servidor onde o site está alojado. É aqui que entra o DNS cache: uma espécie de bloco de notas onde o teu dispositivo guarda essas traduções para não ter de repetir a mesma pergunta sempre que visitas os mesmos sites. Prático, sem dúvida, mas não isento de falhas.
Porque é que isto pode ser um problema? Bem, imagina que um site muda de servidor, mas o teu cache continua a apontar para o endereço antigo, e de repente, a página simplesmente não carrega. Ou então, e se alguém alterar essas “anotações” a seu favor? É o que acontece em ataques de DNS spoofing, onde criminosos redirecionam-te para sites falsos, muitas vezes para roubar informações sensíveis. E não é tudo: mesmo que uses o modo incógnito, o teu histórico de navegação pode ser reconstruído a partir do cache, deixando rastos que pensavas apagados.
Ou seja, o DNS cache é útil, mas também é uma porta que, se não for bem vigiada, pode abrir caminho a problemas de segurança e privacidade.
Como Limpar o DNS Cache: Um Guia para Todos os Dispositivos
1. No Computador (Windows, macOS, Linux)
Windows:
- Abre o Command Prompt (tecla Windows + R, escreve
cmd, Enter). - Escreve o comando:
ipconfig /flushdns
- Pressione Enter. Verás uma mensagem: “Successfully flushed the DNS Resolver Cache.”
macOS:
- O comando varia consoante a versão. Para as mais recentes (Big Sur, Monterey, Ventura, Sonoma, Sequoia):
sudo dscacheutil -flushcache; sudo killall -HUP mDNSResponder
(Pede-te a password de administrador.)
Linux:
- Verifica primeiro se o serviço de cache está ativo:
systemctl is-active systemd-resolved
Se estiver, limpa com:
sudo systemd-resolve --flush-caches
2. Nos Browsers (Chrome, Firefox, Safari, Edge)
Chrome, Brave, Opera, Edge:
- Escreve na barra de endereço:
chrome://net-internals/#dns
(Substitui “chrome” por “brave”, “opera” ou “edge”, consoante o browser.)
- Clica em “Clear host cache”.
Firefox:
- Escreve:
about:networking#dns
- Clica em “Clear DNS Cache”.
Safari:
- Ativa o menu de desenvolvedor: Preferências > Avançado > “Mostrar menu Desenvolver na barra de menus.”
- No menu Desenvolver, seleciona “Esvaziar Caches”.
3. No Router
Alguns routers avançados também guardam DNS cache. A solução mais simples? Reinicia o router. Desliga-o da corrente, espera 30 segundos, e volta a ligar.
Por Que Fazer Isto?
Porque é que deves limpar o DNS cache? Há razões práticas e de segurança que tornam este gesto mais importante do que parece à primeira vista. Em muitos casos, quando um site simplesmente se recusa a carregar, o problema não está na ligação à internet, mas sim no facto de o teu cache estar a insistir num endereço IP desatualizado, como se tentasses entrar numa loja que já mudou de rua, mas o teu GPS teimasse em levar-te ao local antigo. Limpar o cache resolve esse impasse e restabelece a ligação correta.
Mas há mais: ao apagar esses registos, estás também a fechar uma porta a possíveis ataques informáticos, como o DNS spoofing, onde criminosos manipulam o cache para te redirecionar para páginas falsas, muitas vezes com o objetivo de roubar dados pessoais ou credenciais. É como se alguém trocasse as placas das ruas para te levar a um beco sem saída, ou pior, a uma armadilha.
E não é só uma questão de segurança. Mesmo que uses o modo incógnito, o teu histórico de navegação pode ser reconstruído a partir do DNS cache, deixando rastos que pensavas ter apagado. Ao limpar o cache, estás a garantir que esses vestígios desaparecem de vez, preservando a tua privacidade de forma mais eficaz. No fundo, é um pequeno gesto que ajuda a manter o controle sobre a tua presença online.
E o DNS over HTTPS (DoH)? Uma Camada Extra de Discrição
Já que falámos de segurança e privacidade, há um desenvolvimento recente que merece destaque, o DNS over HTTPS, ou simplesmente DoH. Lembras-te da analogia do café e das placas de rua? Imagina agora que, além de seguires o caminho certo, todas as tuas perguntas sobre direções fossem feitas dentro de um envelope fechado, em vez de em voz alta na praça pública. É mais ou menos isto que o DoH faz. Tradicionalmente, os pedidos DNS viajam em “voz alta”, qualquer pessoa com as ferramentas certas pode ver que sites estás a visitar. Com o DoH, esses pedidos são encriptados e enviados dentro do tráfego HTTPS normal, o mesmo que já protege as tuas passwords e dados bancários. O resultado? O teu patrão, o ISP ou um curioso na rede Wi-Fi do aeroporto deixam de conseguir espiar os teus destinos online. Muitos browsers modernos (como Firefox, Chrome e Edge) já ativam esta funcionalidade por defeito, criando um túnel privado para as tuas consultas. Mas atenção: o DoH não elimina a necessidade de limpar o cache, aliás, o browser passa a ter o seu próprio cache DNS protegido, que também pode precisar de uma limpeza ocasional. É como ter um diário pessoado, muito bem guardado, mas de vez em quando convém arrancar umas páginas antigas.
Como Limpar o Cache do DoH (por Browser)
Aqui está o guia prático, mantendo o espírito da coisa:
No Firefox (o mais direto)
O Firefox é transparente quanto a isto. Para limpar o cache DNS do DoH:
Abre um novo separador e escreve about:networking#dns na barra de endereço .
Vais ver uma lista de domínios recentemente resolvidos. À direita, encontra o botão "Clear DNS Cache" .
Clica nele. O caderno está limpo.
(Alternativa mais radical: se estiveres com problemas teimosos, vai a about:config, procura por network.dnsCacheExpiration e muda o valor para 0 durante uns segundos. Depois repõe o valor original. É como sacudir o caderno ao contrário para ver se cai alguma folha esquecida.)
No Chrome, Edge, Brave e afins
Aqui o processo é semelhante ao DNS normal, mas num sítio ligeiramente diferente:
Escreve na barra de endereço: chrome://net-internals/#dns (ou edge://net-internals/#dns, etc.) .
Clica em "Clear host cache" . Isto limpa a cache de todos os pedidos DNS, incluindo os feitos por DoH.
Para ter a certeza que tudo fica impecável, vai ao separador "Sockets" (chrome://net-internals/#sockets) e clica em "Flush socket pools" . Isto fecha as "portas abertas" que o browser mantinha para essas ligações seguras .
Porque é que isto importa?
Limpar a cache do DoH garante que o browser não teima em usar um endereço antigo ou potencialmente corrupto, mesmo quando a pergunta foi feita dentro de um envelope fechado. É manteres o controlo sobre o teu próprio mapa-mundo digital, garantindo que as tuas próximas viagens online começam sempre com o caminho mais atualizado e seguro.
Perguntas Frequentes
É seguro limpar o DNS cache?
Sim. Não apaga dados pessoais, apenas a “memória” de endereços da internet.
Vai tornar a minha internet mais rápida?
Não diretamente. A primeira vez que visitas um site depois de limpar o cache pode ser um pouco mais lenta, mas depois volta ao normal.
Com que frequência devo fazer isto?
Depende. Se notares problemas de acesso ou tenses preocupações de segurança, faz-o sempre que necessário.
A Memória e o Esquecimento
A internet, como a memória, é feita de camadas. Algumas guardamos de propósito, outras acumulam-se sem darmos conta. Limpar o DNS cache é como varrer o pó de um caminho que já não usamos, um gesto pequeno, mas que mantém a estrada livre para novas travessias.
E tu, quantas vezes já te perdeste num endereço que já não existe?